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Hoje tenho 32 anos de idade. Comecei no Atlético Paranaense, disputei libertadores, fui campeão estadual quatro vezes e hoje jogo no Yuen Long FC de Hong Kong, na China. Já passei por três cirurgias, fui reprovado em peneiras, já quebrei ossos, rasguei músculos e se foram algumas cartilagens. Na Grécia fui ameaçado pelos dirigentes do clube e tive que sair praticamente fugido do país. Passei meses com muletas, fui desenganado, desacreditado e esquecido. Fisicamente tive que lidar com muitas dores, limitações e dificuldades. Aos 30 anos tive que encerrar a carreira por conta de uma lesão no quadril. Depois de um ano parado, recebi uma proposta para voltar a jogar aqui em Hong Kong, de onde escrevo estas linhas.

A minha vida é um livro de surpresas, superações, alegrias e aprendizados. Posso afirmar, no entanto, com toda certeza, que foi emocionalmente onde vivi minhas maiores vitórias e derrotas na minha profissão.

Portanto, eu sei o que você está sentido, pensando e se emocionando quando o mundo do futebol o rejeita. Eu sei o que você sente quando não joga nada. Eu sei como seu coração reage quando é criticado pelos outros. Eu sei o que se passa na sua mente ao pensar em desistir do seu sonho. Eu sei exatamente o tamanho dos medos que te afrontam antes de entrar em campo. Eu sei a frustração de não ser escolhido. Conheço profundamente a força de todos estes pensamentos, emoções e sentimentos.

Mas porque digo que minhas vitórias e derrotas estão intimamente ligadas com minhas emoções? Porque as chaves que abrem as portas do talento estão na qualidade dos nossos pensamentos, das nossas crenças e da forma como nosso estado emocional se encontra.

Descobri algo profundamente importante ao longo da minha vida. O modelo mental que desenvolvemos programa exatamente o que queremos. Ou você desenvolve uma vida medíocre apenas fugindo do fracasso ou então arquiteta uma vida extraordinária apontando para o sucesso. É muito diferente quando você entra em campo para ser o melhor, do que quando você coloca a chuteira, mas seu objetivo é apenas não ser o pior. Existe um abismo que separa estas realidades. Eu sei muito bem a diferença da energia, da alegria, do poder pessoal e da euforia que separam estas duas categorias.

99,9% dos jovens estão concentrados no “somente rico que vence e que pobre nasceu para se ferrar”, “futebol é esquema”, ”sem empresário é impossível”, “minha cidade é pequena”, “meus pais não me apoiam”, e por isso estão produzindo lixo emocional escorados nas frustrações e dificuldades que enfrentaram. Confesso que em alguns momentos da minha vida experimentei esta forma de pensar e interpretar a vida e digo com experiência vivida: FORAM OS PIORES DIAS DA MINHA EXISTÊNCIA. Eu até estava certo. Fui algumas vezes injustiçado na vida, no entanto, ser um sucesso não implica em remoer os fracassos.

Agora existe uma turma, cerca de 0,1% que decidiu focar no talento, desenvolver suas competências, buscar oportunidades, assumir riscos, chamar a responsabilidade e sair da zona de conforto. Esses estão mais do que sonhando, estão tornando o futebol um objetivo de vida. Se este não fosse meu modelo mental, teria parado quando fui reprovado nas duas primeiras peneiras. Não teria suportado as lesões, as injustiças, a rejeição e a alta competitividade deste esporte.

Evitar o fracasso não é o modelo mental dos vitoriosos. Ter medo de errar não é a forma de pensar dos atletas de sucesso. Impossível não é uma palavra que ocupa o dicionário dos vencedores. Por isso, se você deseja fazer parte dos 0,1% dos jovens que passam nas peneiras e ingressam no mundo do futebol, pense como 0,1%, viva como 0,1%, alimente-se como 0,1%, treine como 0,1%. Este texto não é para vocês que estão fugindo do fracasso, mas é para você que está buscando ser um sucesso.

Faça parte da minoria. Nade contra a maré.
Faça parte da geração 0,1%

Carlos Bertoldi