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Uma das experiências mais importantes da minha vida e que trouxeram mais frutos foi transformar aparentes concorrentes em parceiros. Foi promover a transformação de um possível inimigo e rival em um companheiro e cooperador. O que aconteceu? PRODUTIVIDADE! Sabe por que? Porque quando a maré sobe todo os barcos sobem juntos! Porque isso é uma estratégia íntegra! É algo verdadeiro! É honesto! Isto nos leva a outra categoria de ser humano cujo caráter não é validado pelo resultado ou pelos placares. Isso é ter um propósito de vida! É ter valores que alinhados com sua vocação promovem confiança e crenças positivas! Por isso, um atleta pode por meio de suas atitudes emocionais inteligentes transformar todo inconsciente coletivo de um grupo, transformando um amontoado de rivais em parceiros, e é assim que nasce um time de verdade. 

É exatamente isso que tenho aplicado em minha vida de maneira muito sólida e concentrada. Muito mais extraordinário é dar do que receber! É dando mais do que recebendo que consegui ser feliz. A crise do meu casamento foi determinante para que eu descobrisse uma das maiores e mais profundas inteligências deste mundo. Foi essa descoberta que permitiu que pudesse desenvolver minhas emoções, aplicar novos conceitos em minha profissão, gerenciar melhor meus comportamentos e construir um ambiente mais sadio e feliz com as pessoas que amo. E foi exatamente através da inteligência colaborativa que nós, humanos, uma espécie frágil em meio a savana africana alcançou o topo da cadeia alimentar. Foi nossa capacidade de nos conectar com pessoas e cooperar entre si que nos fez vencer uma competição que estava perdida. Nós não poderíamos vencer a velocidade dos leopardos, nem a força dos gorilas, nem voar como as águias, nem tampouco nadar como os peixes. Mas, juntos, em cooperação, colaborando entre si, criamos ferramentas que nos trouxeram até aqui.

No entanto, nossos casamentos muitas vezes se parecem mais com uma savana do que com um lar. Nosso ambiente de trabalho possui mais predadores do que colegas. O vestiário de um time de futebol com baixa performance, por exemplo, é a expressão de um lugar de alta competitividade e pouca colaboração. Se no passado, a nossa capacidade de nos ajuntar em um objetivo nos salvou e nos tornou a mais evoluída espécie do planeta, talvez no presente, nossa incapacidade de ter unidade de pensamentos tem nos direcionado a depressão, a perdas, prejuízos e resultados negativos. No mundo moderno a ideia é “matar um leão por dia” e de fato, é essa selva que temos construído e compreendido como forma de sobrevivência que tem nos deixado doentes. A ideia é que precisamos matar para viver nos faz mal e compreender o outro sempre a partir desta percepção nos tornou uma espécie violenta e agressiva entre si.

O que aconteceu com nossa capacidade de cooperação? Eu arrisco dizer que nos tornamos vorazes consumidores. Consumimos fé, felicidade, pessoas, coisas. Nós casamos com o desejo de consumir felicidade. Trabalhamos pelo dinheiro que nos faz consumir coisas. Frequentamos a religião para consumir os benefícios da fé. E foi exatamente nessa perspectiva que comecei minha carreira, casei com minha esposa, trabalhei por longos anos e desenvolvi a espiritualidade. Quando minha vida ficou uma m* e tudo ficou insustentável a reflexão sobre quem sou, o que devo fazer e qual é a parte que me cabe dessa joça vieram à tona. E como tudo na vida, não existe nada de muito novo e estratosférico. As coisas que mais transformam nossa vida e que nos proporcionam mais sentido existencial são simples. Simples como “dar é melhor do que receber”. Esta simples frase, que conheço há mais de 30 anos mudou minha vida. Apliquei esse conceito primeiramente no meu casamento. 2015 eu e minha esposa estávamos a beira do colapso. As brigas mal resolvidas e as palavras soltas ao ar foram criando um ambiente de rivalidade afetiva e de pouca cooperação. Quando percebi, o amor estava tentando sobreviver em uma savana de competições e rivalidades. Eu não estava recebendo afetos que achava merecer e por isso julgava que não deveria oferecer o mesmo! Ela também estruturou o pensamento nesta dimensão! Paramos de dar, de servir, de doar. Com esta estratégia de vida construímos um ambiente perigoso e hostil. E quando vivemos em um cenário como esse, todas nossas interpretações acabam sendo deturpadas pelo medo gerado pela instabilidade emocional. Até mesmo os elogios feitos nessa “savana” não surtem efeitos positivos. Quando consegui fazer a leitura deste cenário e tive a percepção deste ambiente decidi aplicar a cooperação me esforçando para desenvolver minha inteligência colaborativa. O foco não era receber, pelo contrário, era apenas dar. Eu apenas estava servindo, dando, cooperando. Fiz isso durante um uma semana, um mês, um semestre. Nossas vidas foram sendo transformadas de maneira muito sútil e única. Parei de ser um escravo emocional querendo algo em troca, e assim, me tornei o autor de emoções, palavras e pensamentos positivos na minha família. O começo é sempre difícil, mas foi exatamente assim que saímos do fundo do poço emocional e afetivo. Foi dando meu melhor como ser humano que pude compreender que o ambiente que vivo depende muito mais de mim que imagino. Eu crio as emoções coletivas! Enfim, o meu exemplo influenciou não somente o ambiente como também trouxe uma nova atitude para ela. Sem perceber ela começou a frouxar a corda e a ser influenciada pelo poder da colaboração. Sem nenhuma palavra. Não discutimos relação. Não fizemos terapia. A cooperação nos juntou novamente e nos uniu. Hoje estamos juntos, felizes e vivendo a realização do nascimento da nossa Cecilia, mas por pouco, a falta de cooperação e a rivalidade acabaram com nossa relação.

Produzir em alta performance é algo que somente acontece com alguém que está em profunda cooperação com o organismo que está envolvido. Se em um casamento, que escolhemos amar uma pessoa e viver junto com ela por livre e espontânea vontade caímos no erro de competir e rivalizar imagine com companheiros de time e colegas de profissão que muitas vezes possuem comportamentos e histórias totalmente diferentes! Cooperação gera multiplicação e é exatamente isso que estou vivendo em minha vida. Sabe quando minha produtividade aumentou? Quando parei de focar ser o melhor jogador para alimentar meu ego, mas para ser o melhor atleta para servir meus companheiros e ajuda-los a serem ainda melhores. Quando deixei de ser um escravo emocional das pessoas, esperando ser retribuído ou elogiado e passei a ser quem elogia e quem expressa e publica o valor que existe no outro. A cooperação multiplica! E isso é tão verdade que nesse momento observo a Cecília no bercinho ao meu lado. Há 3 anos atrás os revanchismos e rivalidades quase dividiram. Hoje a cooperação multiplicou. A savana das competições estava me levando para um lugar de solidão. Eu era para estar sozinho neste momento, mas na verdade, quando chego em casa é tudo multiplicado por 3. Aplique a colaboração como um estilo de vida! Coopere, sirva e não se esqueça! Dar é muito melhor do que receber!