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No momento fala-se muito sobre o comportamento do Neymar. Que o atleta deveria ter outro tipo de conduta, na qual, em alguns casos até concordo. Mas o ocorrido com o Sidão neste último domingo traz à tona com mais profundidade o que tenho falado nos últimos anos. O problema não é o jogador brasileiro, mas é a cultura do futebol brasileiro. E amigos, essa cultura envolve você que está lendo, o jornalista que está escrevendo, o técnico que está liderando, o dirigente que contrata, a torcida que protesta, o narrador e o comentarista que transmitem. 

Pouco se fala sobre a capacidade e a qualidade dos profissionais da imprensa, por exemplo. A maioria dos formadores de opinião do esporte brasileiro sequer sabem o que significa pisar em um gramado. Ou são fracos, inexperientes ou são mal-intencionados. É difícil ouvir algo sóbrio que de fato revele as verdades sobre um jogo e por isso, a imprensa se tornou em sua maioria tóxica que vive mais remexendo em lixo querendo carniça do que falando o que é necessário, importante e relevante no momento.

Futebol é paixão, mas também frustração! E quanta frustração! Recebo centenas de mensagens de adultos que ainda sonham como adolescentes. O futebol é uma fonte inesgotável de frustração! Quantos frustrados possuem o país do futebol se a cada três mil jovens que fazem uma peneira somente um se torna atleta? Quantos frustrados estão nas arquibancadas? Quantos estão nos camarotes? Quantos estão com o microfone e a caneta na mão?

Parabens Sidão! Mesmo diante de um inferno emocional você teve a honra e o respeito em receber o “troféu” dos frustrados que votaram. Esse é um troféu exclusivo do país do futebol. O Tadeu Shimidt, por exemplo, erra feio de vez em quando, mas a gente não sonhava em ser apresentador do fantástico quando era criança! Não tem o “mustela putorius furo” para a gente rir das mancadas que o Bonner comete no jornal nacional porque a gente não cresce querendo ser igual a ele. Um troféu para o Sidão, porque mesmo em meio ao seu pior dia como profissional, ainda existem mais jovens, mais crianças, mais adolescentes desejando ser, viver e experimentar as suas experiências do que qualquer outro profissional deste país. Mesmo errando, perdendo, ou vivendo dias difíceis você vive a realização de um sonho e é isso que nossas crianças precisam. Precisam saber que mesmo em momentos ruins, mesmo em meio aos frustrados, mesmo sendo ridicularizado por milhares, é melhor ser um realizador de sonhos que assume riscos, do que um frustrado escondido atrás de uma tela de computador!

É isso!